SILENCIOSO GRITO DE SOCORRO

DONGA STICK FIGHTING SURMA TRIBE - ETHIOPIA

“Quantas vezes não apontamos o dedo a pessoas e profissionais, em nossa vida, culpando nossas frustrações e erros próprios; a quem está tentando entregar seu melhor, palavras proferidas ao vento não trazem mudanças na temperatura ou cessa uma incessante chuva. Somente interfere ao sagrado silêncio”  – Rodrigo Quinalha

Há uma tribo africana denominada Surmas que tem costumes e tradições com grande semântica, que gera sem dúvida reflexões bastantes profundas ao nosso mundo ocidental, seja através da perspectiva social, como pela corporativa.

Este povo estava isolado há mais de 35 anos de qualquer contato com civilizações ocidentais; ocupa uma área remota no sudoeste da Etiópia.

O que me chamou atenção de forma especial a essa tribo, apesar de sua conduta atribuída como “barbará” e vida simples; é a gestão efetiva de conflitos, respeito mútuo e justiça social empregada, afim de manter a coesão e união entre seus entes. Algo imprescindível ao mundo dos negócios atual, onde vemos rupturas e descolamento dos colaboradores dentro de suas próprias equipes, como do contexto mais amplo na missão, valores e estratégia de sua corporação.

Quando alguém faz algo prejudicial ou impacta de forma grave o convívio social, a tribo convida a pessoa para o centro da aldeia, onde passa a ser visto por todos. A tribo se reuni e o rodeia. E durante dois dias, eles vão dizer ao homem todas as coisas boas que ele já fez, recordar todos momentos de glórias, superação, amor, afeto, acertos, gestos significativos e realizações alcançadas, em sua vida até o momento. Durante  48 horas, em um revezamento incessante, esse membro da equipe recebe palavras das mais diversas classes sociais: líderes, crianças, idosos, curandeiros, adolescentes e adultos.

A tribo acredita, sabiamente, que cada ser humano vem ao mundo, como um ser integro e “limpo” dos desvios “mundanos”; durante a vida seguimos nossos desejos em busca de fatores como: sobrevivência, segurança, amor, paz, conquistas e felicidade. Porém, na busca dessas realizações, é aceitável e normal que as pessoas cometam erros e desvios durante seu trajeto, um processo visto como natural.

A comunidade enxerga aqueles erros como um grito de socorro e de ajuda. Não de condenação ou de “bode expiatório”. Oriunda desta união, inicia-se a transformação, recuperação e continuidade da vida deste membro junto a tribo, seu time, sua equipe.

Unem-se  para erguê-lo por diversos braços e mãos, como um vencedor de uma milionária corrida de Fórmula 1; depois de todas palavras proferidas e feitos recordados; para reconectá-lo com sua verdadeira natureza, para lembrá-lo quem realmente é, qual time/tribo ele pertence; até que se recorde totalmente de “sua verdade”; da qual ele tinha se desconectado temporariamente.

Quantas vezes você não vivencia situações em seu ambiente de trabalho, onde encontrar culpados torna-se mais importante que a solução. Quantas vezes você não vivencia situações de denegrimento a imagem ou ao trabalho de alguém, muitas vezes de forma injusta; embora raramente; depara-se com elogios e reconhecimento.

Reconhecer, transformar e estender a mão. Pertence a poucos profissionais de alto gabarito. Identificar um grito de socorro alheio, por mais silencioso que seja, mostra como sua audição da maturidade está afiada e funcionando a favor de seus propósitos

“Quantas vezes não apontamos o dedo a pessoas e profissionais, em nossa vida, culpando nossas frustrações e erros próprios; a quem está tentando entregar seu melhor, palavras proferidas ao vento não trazem mudanças na temperatura ou cessa uma incessante chuva. Somente interfere ao sagrado silêncio” 

Rodrigo Quinalha

Palestrante Corporativo
Professor MBA & Pós – FIA – Fundação Instituto de Administração 
Business Manager – HB

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