HUMILDADE CORPORATIVA

humildade

Sua função nunca será a mais importante, dentro de uma organização, não importa seu cargo e resultados trazidos. Entenda que sem sinergia, humildade, transparência, trabalho em equipe e complementariedade, nenhuma empresa se torna bem sucedida coletivamente e você, individualmente – Rodrigo Quinalha

Ao conseguir o primeiro emprego na área desejada, talvez tenha sido a novidade mais comemorada, que qualquer outra promoção, durante minha carreira, década de 90. A sensação foi diferente e única. Apostarem em seu potencial, ao ingressar dentro de uma estrutura corporativa e profissional pela primeira vez, independente do nicho mercadológico ou função atribuída.

A empresa era de porte pequeno a médio, indústria focada em fabricação de campainhas, letreiros luminosos e equipamentos para ônibus e transporte público, porém defronte a este “negócio específico”; havia um aprendizado corporativo dos mais importantes, que levaria junto comigo, lado a lado, por toda a minha carreira corporativa. A compreensão da importância de ter ao meu lado, um grande aliado em qualquer carreira: Humildade.

Ao receber o aceite da minha contratação, inicialmente, como Analista Jr. WEB – seria responsável por todas as veiculações da empresa na Internet e sistemas B2C (e-commerce) e B2B. Sendo  requisitado que estivesse na data agendada na frente do portão C, no primeiro dia de trabalho. Ao chegar com antecedência de 30 minutos, vestido com trajes sociais, sentei na recepção e observei que era o portão de entrada dos operários da fábrica, entrando um a um; enquanto observava pessoas do administrativo entrando ao lado, pelo portão B, separadamente, sentido ao escritório central.

O diretor me recebeu, após 25 minutos, deu as boas-vindas e informou que as minhas atividades iniciariam pelo “chão de fábrica”.

Naquele primeiro momento, não gostei nenhum pouco dessa recepção e informação, algumas frases e vozes soaram em minha mente de imediato: “havia estudado por anos – TI  – tecnologia da informação para estar a frente de computadores e não máquinas de uma fábrica”; “não havia sido contratado para fazer essa função”; “porque não iniciam entendendo melhor meu potencial, onde realmente sou preparado para atuar?”. Segui o diretor passo-a-passo em direção a fábrica, pensativo e silencioso; fui apresentado ao coordenador de produção, o diretor de forma simples proferiu os seguintes dizeres a mim: “Primeiramente, necessita conhecer nosso negócio, nosso dia-a-dia, antes de sentar em uma cadeira distante de nosso core business. Ademais, conhecer de forma mais abrangente, quem são as pessoas que aqui trabalham, o que realizam, qual fruto dos seus trabalhos. Daqui que sairá seu salário, como de todos os outros funcionários. Dedique-se ao máximo a esta oportunidade de aprendizado concedida.” Sem se despedir, seguiu em direção a saída da fábrica.

Realmente, aprenderia muito, meu primeiro diretor tinha razão, mesmo a “contra gosto”, por minha parte, inicialmente. Seria a melhor aula e lição que poderia ter tido em minha vida profissional. Passei um período de 2 semanas na fábrica, recordo detalhadamente até hoje, na qual ajudei em diversas funções pré-julgadas “não nobres” a um recurso que estudava em uma universidade conceituada:

  • Montagem de caixas – caixas de papelão vinham todas abertas e colocava em ordem;
  • “Empacatador” – responsável por guardar todos produtos em caixas e “envelopar” uma a uma;
  • Teste de Qualidade – efetuar homologação de amostras dos produtos fabricados;
  • Limpeza das mesas de trabalhos dos operários – remoção dos vestígios oriundos da produção, como rebarbas e arestas;
  • Injetora de plástico – alimentar com grânulos a injetora para que não houvesse interrupções na produção das peças;
  • Fixar campainhas para efetuar testes de usabilidade e funcionamento;
  • E outras diversas e pequenas ações que contribuíam a operação como um todo.

Aprendi muito com a alegria, efetividade e simplicidade daquela equipe.  Era unida. Participativa. Dedicada. Integrada. Tornei-me parte daquele grupo. Tornei-me nesta integração “planejada”, um colaborador efetivo desta empresa. Visitei a melhor parte da minha humildade, fazer algo que normalmente deixamos de lado ou “condenamos” quando somos escalados para uma “atividade não nobre”. A cada dia executava com mais vontade e maestria o que me foi delegado. Zelei a todo momento pela excelência. Aprendi na realidade a ser um verdadeiro profissional, neste exemplo.

Os resultados desta convivência foram imprescindíveis a minha carreira:

  • Aprendi que nenhum profissional é mais importante que os demais
  • Humildade é uma característica, sempre presente nos profissionais bem sucedidos, sem exceção
  • Fez-me entender que aprender está acima de qualquer rótulo de cargo corporativo
  • Ganha-se respeito da equipe, quando você se envolve diretamente e profundamente na resolução dos problemas corporativos, participa efetivamente.
  • Onde há problemas inicialmente, há oportunidades, depende apenas de sua postura

Os melhores exemplos nem sempre são provenientes por profissionais, com ternos, gravatas, altos salários e posição hierárquica. Aprenda sempre, esteja aberto a conhecer e entender o que lhe rodeia, com humildade. Este é o trunfo dos profissionais vencedores! Saber que sempre há o que aprender e ensinar, uma via de mão dupla incessante!

Rodrigo Quinalha
Palestrante Corporativo
Professor MBA & Pós – FIA – Fundação Instituto de Administração 
Business Manager – HB

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